O Dépor: Da Paciência à Tranquilidade

Escrevo uma vez mais em galego com formato português e sempre a lembrar dois grandes galeguistas que me ensinaram a andar pela vida, Ricardo Carvalho e Ernesto Guerra da Cal.
Hoje o tema é algo que lhes faria rir a dom Ricardo e dom Ernesto, homens de fino humor inclinado à sátira (os seus retratos de personagens sinistros como os supostos professores “Lo(u)renço o Pailám” e “Garcia o Asturiano” dariam para muito divertimento).
A coisa agora é o afundamento de “el Deportivo de La Coruña” no inferno que lhe correspondeu em sorte de idiotia, pois só de idiotas é se deixar levar pelas idiotices do futebol, que arrastam as massas humanas ao fanatismo e à cegueira.
Quando o barco vai ao fundo, aparece para o governar um sujeito de nome e apelido tão incríveis que logo provocam a hilaridade: o senhor treinador –que já o foi de diversas equipas portuguesas– chama-se Domingos Paciência.
Quem conheça o escritor que isto bate à tecla saberá bem da sua teima com os apelidos, sobrenomes e outras características que nos fazem pessoas peculiares. A verdade é que tentei imaginar de onde poderia ter saído o virtuoso apelido “Paciência”, e tentarndo essa virtude andei a indagar.
Rendido, pus-me em comunicação com um cientista na matéria filológica, o Professor Fernando Venâncio, para receber dele uma resposta que o honra: não sabe, caramba.
Veja logo o leitor paciente que andrómenas andamos a tocar os amantes das línguas –e dos apelidos concretamente, que são cultura concentrada durante séculos– em quanto o Dépor vai prá merda.
Ora, não falta a retranca galega neste afundamento. E já corre entre os siareiros do Celta de Vigo um alcume para esse português que teve os fígados de vir tomar conta do desastre. Chamam-lhe “Sábados Tranquilidade”.

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